segunda-feira, novembro 22, 2004

Lua

        Hoje a Lua parece brincar de esconde-esconde... Meio tímida, resolve dar as caras aos poucos, revelando-se por entre as densas copas das árvores. Lá longe, parece que me olha, espiando para dentro da janela. Talvez me guarda. Talvez vela meu sono dia pós dia e, quando nova, fica louca em agonia por não poder velar-me. Talvez traz os meus sonhos, talvez me deixa inquieta, não permitindo que eu cerre os olhos um segundo sequer. Talvez me hipnotiza, talvez me prende aos braços teus, controlando a brisa da madrugada que me acaricia.
        E sem que se perceba, aquela que brincava, tímida e meiga, sobe às alturas e impera a noite. E governa estrelas e ofusca estrelas e derruba estrelas e... se esconde. A Lua sem vergonha, de vergonhas mil se esconde por anular tantas estrelas que só querem solitárias brilhar sua morte enfim. Mas ainda assim vigia... Mas agora, espia como quem tenta descobrir porque tanto encaro com olhos de quem recrimina, de quem indaga, de quem desconfia, de quem filosofa, de quem não acredita e sente.
        E quando mais uma vez dá as caras, parece que percebo vultos, parece que observo anjos, parece que voam em curvas sinuosas, parece que se juntam à janela, parece que circundam essa Lua grande. E agora já nem mais sei se os anjos velam-me com a Lua, ou se da Lua velam-me os anjos.

Débi H.
Março de 2004.


Posted by Hello

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