segunda-feira, abril 04, 2005

Espera

Há horas espero para dizer
que hora a hora estou a sonhar
com as tuas palavras pela minha voz entonadas

E quando escrevo, compreendo o teu não entender
quando ainda peço para esperar

Se os Rios não corressem tão distantes...
Se falar fosse mais fácil...
Se a loucura tomasse conta de mim...

A espera ainda vai terminar
e cairemos do sonho à realidade

Débora H.
03 de Abril de 2005.

domingo, março 27, 2005

Murmúrio

Traze-me um pouco das sombras serenas
que as nuvens transportam por cima do dia!
Um pouco de sombra, apenas,
- vê que nem te peço alegria.

Traze-me um pouco da alvura dos luares
que a noite sustenta no teu coração!
A alvura, apenas, dos ares:
- vê que nem te peço ilusão.

Traze-me um pouco da tua lembrança,
aroma perdido, saudade da flor!
- Vê que nem te digo - esperança!
- Vê que nem sequer sonho - amor!



Cecília Meireles

terça-feira, março 08, 2005

Anjos do Mar

As ondas são anjos que dormem no mar,
Que tremem, palpitam, banhados de luz...
São anjos que dormem, que sonham, a rir e sonhar
E em leito d’escuma revolvem-se nus!

E quando de noite vem pálida a lua
Seus raios incertos tremer, pratear,
E a trança luzente da nuvem flutua,
As ondas são anjos que dormem no mar!

Que dormem, que sonham – e o vento dos céus
Vem tépido à noite nos seios beijar!
São meigos anjinhos, são filhos de Deus,
Que ao fresco se embalam do seio do mar!

E quando nas águas os ventos suspiram,
São puros fervores de vento e mar:
São beijos que queimam... e as noites deliram,
E os pobres anjinhos estão a chorar!

Ai! quando tu sentes dos mares na flor
Os ventos e vagas gemer, palpitar,
Porque não consentes, num beijo de amor,
Que eu diga-te os sonhos dos anjos do mar?


Álvares de Azevedo
A Lira dos Vinte Anos

domingo, março 06, 2005

Al Otro Lado del Río

Clavo mi remo en el agua
Llevo tu remo en el mío
Creo que he visto una luz al otro lado del río
El dia le irá pudiendo poco a poco al frío
Creo que he visto una luz al otro lado del río
Sobre todo creo que no todo está perdido
Tanta lágrima, tanta lágrima y yo, soy un vaso vacío
Oigo una voz que me llama casi un suspiro

Rema, rema, rema, rema, rema, rema
En esta orilla del mundo lo que no es presa es baldío
Creo que he visto una luz al otro lado del río
Yo muy serio voy remando muy adentro sonrío
Creo que he visto una luz al otro lado del río

Sobre todo creo que no todo está perdido
Tanta ágrima, tanta lágrima y yo soy un vaso vacío
Oigo una voz que me llama casi un suspiro

Rema, rema, rema, rema, rema, rema
Clavomi remo en el agua
Llevo tu remo en el mío
Creo que he visto una luz al otro lado del río

Jorge Drexter - Uruguay


Essa música foi premiada com o Oscar deste ano, sendo a primeira música de língua espanhola a ganhar o prêmio.

quarta-feira, março 02, 2005

Dream a Little Dream of Me

Stars shining bright above you
Night breezes seem to whisper "I love you"
Birds singin' in the sycamore tree
Dream a little dream of me

Say nighty-night and kiss me
Just hold me tight and tell me you'll miss me
While I'm alone and blue as can be
Dream a little dream of me

Stars fading but I linger on dear
Still craving your kiss
I'm longing to linger till dawn dear
Just saying this

Sweet dreams till sunbeams find you
Sweet dreams that leave all worries behind you
But in your dreams whatever they be
Dream a little dream of me

Cantada por The Mamas & The Papas, essa música é linda...


Traduzindo...

Sonhe um pequeno sonho comigo

Estrelas brilham luminosas sobre você
Brisas da noite parecem sussurar "Eu te amo"
Pássaros cantando em uma árvore
Sonhe um pequeno sonho comigo

Diga boa noite e me beije
Apenas me abrace forte a diga que sente minha falta
Enquanto eu estou sozinho e triste como posso estar
Sonhe um pequeno sonho comigo

Estrelas desaparecem, mas eu persisto querida
Ainda desejo seu beijo
Eu espero persistir até o amanhecer
Apenas dizendo isto

Doces sonhos até os raios de sol encontrarem você
Doces sonhos que deixam todas as preocupações para trás de você
Mas em seus sonhos, quaisquer que sejam
Sonhe um pequeno sonho comigo

quarta-feira, fevereiro 09, 2005

Se eu morresse amanhã

Se eu morresse amanhã,
levaria comigo um pedaço
de vida de minha mãe.

Se eu morresse amanhã,
deixaria um vazio
no coração de minha avó
e revolta no peito de meu irmão.

É possivel que fizesse
algumas lágrimas se
desprenderem de corações,
se eu morresse amanhã.

Se eu morresse amanhã,
uma mesa ficaria vazia,
os registros não seriam escritos
e as hipóteses se fariam presentes.

Mas o Sol brilharia no céu,
os pássaros cantariam a manhã
e o mundo seguiria seu rumo,
mesmo que eu morresse amanhã.

Se eu morresse amanhã,
talvez o juízo voltasse àquela mente
e é certo que não mais
me afetaria aquela dor.
Mas só se eu morresse amanhã.



Débora H.
Novembro de 2004

quarta-feira, fevereiro 02, 2005

Tarde

Na hora dolorosa e roxa das emoções silenciosas
Meu espírito te sentiu.
Ele te sentiu imensamente triste
Imensamente sem Deus
Na tragédia da carne desfeita.

Ele te quis, hora sem tempo
Porque tu eras a sua imagem, sem Deus e sem tempo.
Ele te amou
E te plasmou na visão da manhã e do dia
Na visão de todas as horas
Ó hora dolorosa e roxa das emoções silenciosas.

Vinícius de Moraes
Rio de Janeiro, 1933


segunda-feira, janeiro 17, 2005

Carta ao Tom 74

Rua Nascimento Silva 107 você ensinando pra Elisete
as canções de canção do amor demais
Lembra que tempo feliz mais que saudade
Ipanema era só felicidade
era como se amor doesse em paz.
Nossa famosa garota nem sabia
a que ponto a cidade turvaria
esse rio de amor que se perdeu.
Mesmo a tristeza da gente era mais bela
e além disso se via da janela
um cantinho do céu e o redentor.
É meu amigo só resta uma certeza
é preciso acabar com essa tristeza
é preciso inventar denovo o amor.

Toquinho e Vinícius de Moraes

Ps.: Uma tarde para se lembrar...

quarta-feira, janeiro 05, 2005

Espelhos d'Alma

De repente um vazio tomou conta do peito
e as lágrimas tentaram deixar os olhos.
De repente os olhos não mais brilhavam,
apesar do tantos sentimentos que refletiam.

E sentiu que tudo devia ser dito
para que não se afogasse em seus pensamentos.
Mas estava só e mesmo que gritasse,
não haveriam ouvidos que pudessem escutar.

Assim, o vazio virou tristeza
e os olhos lacrimejaram, mostrando-se espelhos
de um'alma solitária.
Dormiu agarrada às lembranças


Débi H.
Novembro de 2004.

quinta-feira, dezembro 30, 2004

Ano Novo

O que dizer ao amanhecer
de um novo dia, novo ano?
O que falar pra quem se ama
o que esperar do que virá?

Que a gente possa trocar amor
te dar o meu, você, o teu
se tens o frio, troco por calor
você é tudo do que eu sou.

Pedir um mundo sem ganância
onde haja sempre, só esperança
de ser igual a uma criança
que por pouco faz festança

Pedir pra toda nossa gente
uma vida mais, bem mais decente
fazer ao outro, menor a dor
trazer no peito somente amor.

Sebastião Siqueira