quarta-feira, dezembro 21, 2005

Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo...
É renovar as esperanças na vida e, o mais importante...
Acreditar em você de novo.
Sofreu muito nesse período?
Foi aprendizado...
Chorou muito?
Foi limpeza da alma...
Ficou com raiva das pessoas?
Foi para perdoá-las um dia...
Sentiu-se só por muitas vezes?
É porque fechaste a porta....
Acreditou que tudo estava perdido?
Era o início de tua melhora...
Onde quer chegar? Ir alto?
Sonhe alto...
Queira o melhor do melhor...
Se pensarmos pequeno...
Coisas pequenas teremos...
Mas se desejarmos fortemente o melhor e, principalmente, lutarmos pelo melhor...
O melhor vai se instalar em nossa vida.
Porque sou do tamanho daquilo que vejo, e não do tamanho da minha altura.

Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, dezembro 15, 2005

       "Thoughts reduced to paper are generally nothing more than the footprints of a man walking in the sand. It is true that we see the path he has taken; but to know what he saw on the way, we must use our own eyes."

Autoria atribuida na internet a Arthur Schopenhauer, mas não consegui confirmar.

sábado, dezembro 03, 2005

Caminho

Portas se fecham
A chuva na rua cai
E o caminho em frente é longo
E o destino a frente incerto
Sigo a trilha das flores
São lilases cobrindo o chão
Ou miúdas pétalas púrpuras
Cor da morte.

Débora H.
01 de Dezembro de 2005.

sexta-feira, novembro 25, 2005

Balada para un Loco

Las tardecitas de Buenos Aires tienen ese qué sé yo, ¿viste? Salís de tu casa, por Arenales. Lo de siempre: en la calle y en vos. . . Cuando, de repente, de atrás de un árbol, me aparezco yo. Mezcla rara de penúltimo linyera y de primer polizonte en el viaje a Venus: medio melón en la cabeza, las rayas de la camisa pintadas en la piel, dos medias suelas clavadas en los pies, y una banderita de taxi libre levantada en cada mano. ¡Te reís!... Pero sólo vos me ves: porque los maniquíes me guiñan; los semáforos me dan tres luces celestes, y las naranjas del frutero de la esquina me tiran azahares. ¡Vení!, que así, medio bailando y medio volando, me saco el melón para saludarte, te regalo una banderita, y te digo...

Ya sé que estoy piantao, piantao, piantao...
No ves que va la luna rodando por Callao;
que un corso de astronautas y niños, con un vals,
me baila alrededor... ¡Bailá! ¡Vení! ¡Volá!

Ya sé que estoy piantao, piantao, piantao...
Yo miro a Buenos Aires del nido de un gorrión;
y a vos te vi tan triste... ¡Vení! ¡Volá! ¡Sentí!...
el loco berretín que tengo para vos:

¡Loco! ¡Loco! ¡Loco!
Cuando anochezca en tu porteña soledad,
por la ribera de tu sábana vendré
con un poema y un trombón
a desvelarte el corazón.

¡Loco! ¡Loco! ¡Loco!
Como un acróbata demente saltaré,
sobre el abismo de tu escote hasta sentir
que enloquecí tu corazón de libertad...
¡Ya vas a ver!

Salgamos a volar, querida mía;
subite a mi ilusión super-sport,
y vamos a correr por las cornisas
¡con una golondrina en el motor!

De Vieytes nos aplauden: "¡Viva! ¡Viva!",
los locos que inventaron el Amor;
y un ángel y un soldado y una niña
nos dan un valsecito bailador.

Nos sale a saludar la gente linda...
Y loco, pero tuyo, ¡qué sé yo!:
provoco campanarios con la risa,
y al fin, te miro, y canto a media voz:

Quereme así, piantao, piantao, piantao...
Trepate a esta ternura de locos que hay en mí,
ponete esta peluca de alondras, ¡y volá!
¡Volá conmigo ya! ¡Vení, volá, vení!

Quereme así, piantao, piantao, piantao...
Abrite los amores que vamos a intentar
la mágica locura total de revivir...
¡Vení, volá, vení! ¡Trai-lai-la-larará!

¡Viva! ¡Viva! ¡Viva!
Loca ella y loco yo...
¡Locos! ¡Locos! ¡Locos!
¡Loca ella y loco yo

Musica Astor Piazzolla
Letra Horacio Ferrer
Ano 1969

Pra quem não conhece, a letra é de um tango. Uma viagem, é verdade.
Achei muito criativa e traz ótimas imagens à mente... É só soltar a imaginação...



 

quinta-feira, novembro 17, 2005

     Sim, minha força está na solidão. Não tenho medo de chuvas tempestivas, nem das grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite.

Clarice Lispector

quinta-feira, novembro 10, 2005

Para pensar...

     "Na praia uma criança constrói um castelo de areia. Por um momento, contempla admirada a sua obra. Depois destrói tudo e constrói um outro castelo. Da mesma forma, o tempo permite que o globo terrestre realize seus experimentos. Aqui nesta praça se escreveu a história do mundo; aqui os acontecimentos foram gravados na memória das pessoas, e depois novamente apagados. Na Terra, a vida pulsa de forma desordenada, até que um belo dia nós somos modelados... com o mesmo e frágil material de nossos antepassados. O sopro do tempo nos perpassa, nos carrega e se incorpora a nós. Depois se desprende de nós e nos deixa cair. Somos arrebatados como num passe de mágica e depois novamente abandonados. Sempre há alguma coisa fermentando, à espera de tomar nosso lugar. Isso porque não temos um solo firme sob os nossos pés. Não temos sequer areia sob nossos pés. Nós somos areia."

Personagem do livro "O Dia do Curinga", de Jostein Gaarder.

quarta-feira, novembro 09, 2005

Pouco de Filosofia

     "Toda manhã acordo com um estalo. É como se a cada manhã alguma coisa me lembrasse de que estou vivo, de que um ser vivo vivendo uma aventura fantástica. Pois, afinal de contas, quem somos nós, Hans Thomas? Será que você pode me responder? Somos feitos de uma pequena porção de poeira estrelar. Mas o que significa isso? De onde vem esse mundo afinal?"

Personagem do livro "O Dia do Curinga", de Jostein Gaarder.

quinta-feira, setembro 15, 2005

Conselhos de Duda

         Sara e Duda conheciam-se há 19 anos, mas faziam apenas alguns meses que estavam realmente próximas. Com o passar do tempo o mundo providenciou para que seus caminhos se cruzassem de forma muito particular. Conselhos, desabafos, abraços, consolos e muita franqueza tornaram-se constantes na amizade das duas.
         Certo dia, após escutar as “cautelosas neuras” de Sara, Duda sentiu que conselhos eram necessários: “Cuida,... Cuida pra não desconfiar de quem tu não tem a temer e que só quer te fazer feliz. Cuida pra não cair na ilusão de palavras que encantam, mas que só saem do teclado de um computador para uma tela, sem nem mesmo chegar ao papel. Quem sabe elas serão lembradas para sempre pela sua forma doce de tornar o mundo mais fácil de ser entendido, mas não esqueça que palavras as vezes não conseguem dizer o que um simples olhar explica. E lembra... nem todos os homens são iguais aos nossos Diogos”.
        As palavras não poderiam ter tocado Sara de forma mais intensa.
        Baixou a cabeça e prometeu a si mesma que tentaria acreditar.

Original Patrícia Brock da Fé
Adaptação Débora H.

sexta-feira, setembro 09, 2005

Homens, Mulheres e Sara

       O horizonte laranja e lilás apontava o fim do dia. A conversa era sobre 27 fotos. Não... dia 27 e uma foto só. Sara leu Augusto e então fluíram palavras.

       Simpatizou com Marília. Uma ilusória identificação, acreditava. Outro estado, e-mails, prováveis confissões, possíveis declarações. Questionava a quanto tempo Marília existia e, se existia há tempo, parte dela se sentia enganada, mesmo que isso não fosse verdade. Apenas a inquietava Alagoas ser mais próximo que Rio de Janeiro. Mas isso não tinha mais cabimento.

       Por outro lado, Samanta a encomodava. Na verdade sempre a encomodou. Mas hoje, apesar de não haver mais o tal cabimento, encomodava mais. Parecia manhosa. E Sara nunca gostou de manha. Ciúme? Marília não a atingia dessa forma. Preconceito? Pode ser. Quem sabe não passava de fragilidade exagerada. Achou melhor não julgar, mas ainda a encomodava.

       E sentada em frente aos seus mais próximos amigos homens (que resolveram tirar a noite para tirá-la do sério), magoada com a atitude egoísta de ambos, percebeu que escrevia das mulheres de Augusto, com um sentimento estranho.

       Só lembrou de Mateus quando lhe perguntaram se estava a pensar nele usando apenas meias. Desviou a atenção das mulheres de Augusto para questionar se não estava sendo enganada durante os fins de semana de praia com família e programas com pai e avô.

       A fuga de Douglas. Provavelmente foi isso que afetou a confiança de Sara em homens. Seus amigos homens diziam que todos são iguais: traem. Resulta que muitas vezes se encontrava imaginando Mateus enviando mensagem a ela e logo beijando outra. Ná e Duda a julgavam metade neurótica, metade cautelosa. Decidiu então não mais tirar peça alguma, sem antes colocar pingos em certos “is”.

       Não queria algemas ou alianças ou papéis assinados. Pedia apenas um homem que beijasse uma mulher só. Um metro e setenta de mulher também não era tão pouco assim. Sem contar que, nesse caso em particular, química é o que não faltava, com direito à reações aceleradas por catalisadores. Entendam como quiserem.

       Esperou o telefone tocar, e foi ao planejamento.

       ...

       A aula de planejamento foi agradável. O intervalo pediu capuccino. Sara retornou ao lar silenciosa. Edu surpreendeu. Provou, sem querer, que não tem amigo melhor. O telefone tocou. Era apenas um amigo. Previu um fim de semana com peças de roupa.

       Uma cama vazia a esperava.

Débora H.
08 de Setembro de 2005.

quarta-feira, setembro 07, 2005

Vida e Morte

Passam dias.
Novos anos.
Aprendi a lidar com a morte:
menos uma vida,
mais uma tristeza,
menos um abraço,
mais um canto vazio.
Restam lembranças.
A vida?
Talvez entenda
depois da morte...

Débora H.
07 de Setembro de 2005